CÓDIGO CIVIL
Lei Nº 10.406, de 10 de Janeiro de 2002.
Artigo 766
Se o segurado, por si ou por seu representante, fizer declarações inexatas ou omitir circunstâncias que possam influir na aceitação da proposta ou na taxa do prêmio, perderá o direito à garantia, além de ficar obrigado ao prêmio vencido.
Parágrafo único. Se a inexatidão ou omissão nas declarações não resultar de má-fé do segurado, o segurador terá direito a resolver o contrato, ou a cobrar, mesmo após o sinistro, a diferença do prêmio.


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Resumo Jurídico

Resumo Jurídico: Artigo 766 do Código Civil - O Dever de Informação no Contrato de Seguro

O artigo 766 do Código Civil brasileiro estabelece um dever fundamental para o segurado ao contratar um seguro: o de declarar, com precisão, o risco que pretende transferir à seguradora. Este artigo é crucial para a validade e a execução do contrato de seguro, garantindo que ambas as partes estejam cientes das circunstâncias que definem a probabilidade de ocorrência do sinistro.

O Que Significa Declarar o Risco com Precisão?

Declarar o risco com precisão significa que o segurado deve informar à seguradora, de maneira completa e verdadeira, todos os fatos e circunstâncias que possam influenciar a aceitação do risco por parte da seguradora e a taxa do prêmio. Em outras palavras, é fundamental que o segurado seja honesto e transparente sobre os elementos que tornam o evento segurável mais ou menos provável de acontecer.

Exemplos Práticos:

  • Seguro de Automóvel: Ao contratar um seguro para seu veículo, o segurado deve informar corretamente a idade do motorista principal, seu histórico de condução (se já sofreu acidentes ou multas), onde o carro será geralmente estacionado, o uso principal do veículo (particular, comercial, etc.) e quaisquer modificações realizadas no carro.
  • Seguro de Vida: O segurado precisa informar sobre seu estado de saúde, vícios (como tabagismo ou alcoolismo), profissão (especialmente se for de risco), e quaisquer outras condições preexistentes que possam aumentar a probabilidade de falecimento ou invalidez.
  • Seguro Residencial: Informar sobre o tipo de construção, a presença de sistemas de segurança (alarmes, grades), se o imóvel é habitado permanentemente ou por longos períodos, e se há riscos específicos na região (enchentes, deslizamentos).

Consequências da Má-Declaração (Omissão ou Incorreção):

O artigo 766 prevê duas situações principais em que a declaração do segurado pode ser considerada inadequada e acarretar consequências:

  1. Omissão de Fatos Relevantes (Má-Fé): Se o segurado, conscientemente, omitir fatos que saiba serem essenciais para a avaliação do risco pela seguradora, com a intenção de obter um prêmio menor ou de ser aceito no seguro, ele estará agindo de má-fé. Nesse caso, a seguradora terá o direito de anular o contrato e não pagar a indenização, podendo até reter o prêmio pago.

  2. Incorreção de Fatos Relevantes (Sem Má-Fé): Se a omissão ou a incorreção dos fatos ocorrer sem má-fé, ou seja, por engano ou desconhecimento do segurado, a consequência será diferente. A seguradora poderá:

    • Resolver o contrato: A seguradora poderá rescindir o contrato, restituindo as parcelas do prêmio pagas.
    • Ajustar o prêmio: Se a ocorrência do sinistro for menor do que o previsto com base na declaração incorreta, a indenização será reduzida na proporção da diferença entre o prêmio efetivamente pago e aquele que seria devido. Ou seja, se o risco era menor do que o declarado, a indenização será menor.
    • Reduzir a indenização: Se o sinistro ocorrer e a diferença entre o prêmio pago e o devido for proporcionalmente menor do que a redução da indenização, a seguradora pagará a indenização de forma reduzida, na mesma proporção da diferença de prêmios.

A Importância da Boa-Fé e da Cooperação Mútua:

O artigo 766 do Código Civil reforça a importância da boa-fé e da cooperação entre segurado e seguradora. O contrato de seguro é um contrato de adesão, onde a seguradora estabelece as condições. No entanto, a qualidade das informações fornecidas pelo segurado é a base para que a seguradora possa precificar corretamente o risco e assumi-lo de forma justa.

Em suma, o segurado tem o dever legal de ser preciso e honesto ao declarar o risco ao contratar um seguro. O não cumprimento desse dever, seja por má-fé ou por desconhecimento, pode levar à perda do direito à indenização ou à sua redução, protegendo assim o equilíbrio contratual e a sustentabilidade do mercado segurador.